14 de julho de 2010

Otto Mühl com exposição em Viena


Os sobreviventes da maior comunidade de sexo livre da Europa refugiaram-se em Portugal. O seu guru, o pintor Otto Mühl, passou seis anos na prisão por pedofilia. Hoje, vive entre Faro e Tavira e verá os seus tabalhos expostos em mais um grande museu de arte Museu Leopold de Viena, o que está a relançar a poémica, ver mais em noticia, aqui.

Textos de Katya Delimbeuf

Nos confins da serra algarvia, várias famílias estrangeiras habitam em regime de comunidade. Uma comuna. Cinco autodenominadas «famílias de artistas» vivem ali há quatro anos, tentando «fazer da vida uma obra de arte». O facto pouco teria de relevante, não fosse a comunidade ser liderada por quem é: Otto Mühl é um pintor de renome internacional, mas também o fundador da Comuna de Friedrischof, na Áustria, em 1971. Esta comunidade, onde se praticava o sexo livre, onde os conceitos de família tradicional foram abolidos e se partilhava a intimidade com centenas de pessoas, foi a experiência do género que mais sucesso teve na sua época, chegando a reunir mais de 600 membros.


Além de ousada e inédita, à Comuna de Friedrischof não faltou polémica: o conceito de casal arrasado, os aprendizados sociais questionados, o dia-a-dia ocupado em «sexo, arte e terapia» ajudaram facilmente à controvérsia.


Em 1991, Otto Mühl foi condenado a oito anos de prisão por pedofilia e incentivo ao uso de drogas. Cumprida a pena, refugiou-se em Portugal. Apesar de estar referenciado pelo SIS, ninguém conseguiu provar que mantém o tipo de vida que sempre o caracterizou. O Expresso encontrou-o - e à sua pequena comunidade de 26 adultos e crianças - e conversou com ele. Falou-se da obra artística, da pena de prisão, da experiência de Friedrischof, do quotidiano no nosso país. É a história de um «artista do século XXI» que acredita estar à frente de um projecto de vanguarda, considera ter enfrentado a punição da sociedade do seu tempo por ter ousado ser diferente, mas que crê: o futuro far-lhe-á justiça.


O Museu do Louvre expôs quadros dele em duas mostras: «Posséder et Détruire - Stratégies Sexuelles dans l'Art d'Occident» (Possuir e Destruir - Estratégias Sexuais na Arte Ocidental), em 2000, e «La Peinture comme Crime ou La Part Maudite de la Modernité» (A Pintura como Crime ou A Parte Maldita da Modernidade), em 2002. Mühl viu assim a sua obra ombrear com as de Picasso, Goya, Yves Klein, Jackson Pollock, Miguel Ângelo ou Klimt.


Os críticos sentenciaram: o Louvre tinha ajudado a consagrar a obra do polémico artista, que se celebrizara nos anos 60 pelas suas «acções materiais» (ou «performances»), em que substâncias como molho de tomate, compota, amoníaco, ovos, azeite ou leite acabavam geralmente em cima do corpo nu de uma mulher. Essa corrente artística ficou conhecida por «accionismo vienense». «Até a Áustria, que condenou Otto por pedofilia, quer comemorar os seus 80 anos (Mühl tem, neste momento, 77) com pompa e circunstância», diz Danièle. «Mas é óbvio que ele não tenciona lá pôr os pés enquanto o julgamento não for revisto...»


É por um caminho de terra batida, perceptível apenas para quem conhece, perto da aldeia de Moncarapacho, que se tem acesso à comuna.


Da antiga comuna, nas palavras de Otto Mühl, resta «a assistência comum às crianças, a sexualidade comum dos adultos, o abastecimento comum - compras, cozinha, automóvel...» O pintor assegura, no entanto, que são mais as diferenças do que as semelhanças entre a grande comunidade fundada em 1971 e a vida de hoje. As distinções passam por pontos importantes: «Hoje procuramos contacto com o exterior e são possíveis relações a dois (facto novo em relação a Friedrischof)», diz. «Tenho uma relação a dois com a minha mulher Claudia, o que não me impede de ter relações intensas com outras mulheres. Tudo é possível, mesmo ligações sexuais com o exterior. Contudo, devido ao perigo de infecções, a alternativa é a sexualidade dentro do grupo. Para quem tiver contacto com o exterior, a sexualidade dentro da comunidade deixa de ser possível até que sejam feitas análises. O grupo protege-se assim da sida e de outras doenças. Não se trata de uma barreira moral. Temos um membro que teve contacto sexual com o exterior e que continua a pertencer à comuna», afiança Otto.


O sexo livre no interior da comuna é assumido com naturalidade. Mas «os adultos não têm hoje relações sexuais com os jovens», garante Mühl. «Estes tendem a praticar a sua sexualidade no exterior. Não têm intenção de se integrar sexualmente. Uma menina de 17 anos tem um amigo em Paris que nos virá visitar em breve.» Esta é uma revelação importante, dado que Mühl foi condenado por pedofilia - o que o coloca sob o olhar atento da polícia europeia. Quanto às queixas apresentadas por adolescentes saídas de Friedrischof, e que estiveram na origem da sua condenação, Otto afiança: «As raparigas foram pressionadas, porque lhes disseram que iriam parar à prisão se não depusessem contra mim. Uma pessoa tem de ser já muito consciente e segura de si para não se deixar impressionar pela pressão moral de um processo judicial.»


Actualmente, a comunidade divide o tempo entre pintura, música e convívio. «Há um horário firme de refeições, encontramo-nos muitas vezes ao fim do dia e entregamo-nos espontaneamente ao canto e à dança. Por vezes ocupo-me a pintar e a escrever, trabalho para exposições. Tenho um dia-a-dia muito variado.»


Sobre si, Otto afirma: «Não sou um revolucionário. Sou um pedagogo, na verdade sou um professor de liceu - estudei pedagogia, alemão, história e psicologia, e mais tarde frequentei a Academia de Arte de Viena. Considero a nossa vida comunal aqui no Algarve como um projecto de investigação social.» Vai mais longe: «Pelos nossos filhos se vê que a nossa vida não é uma utopia.» E acrescenta, fazendo uma estranha referência divina, ele, que se considera «por princípio, contra todo o tipo de fé»: «Neste caso, cito as palavras de Jesus: nos teus frutos te deves reconhecer.»



Sobre a abolição do conceito de casal, que praticou durante vinte anos em Friedrischof, Mühl explica: «O que me interessa é a superação do ciúme. É preciso garantir à mulher o direito de decidir quando, onde e com quem quer praticar a sua sexualidade, sem que o parceiro se sinta no direito de a censurar por isso. (...) Sigmund Freud afirma que o enamoramento, quando uma pessoa se apaixona, é uma regressão infantil. O enamorado comporta-se como uma criança perante a mãe. Trata-se de uma circunstância hormonal que, como se pode ver pelas taxas de divórcio no mundo ocidental, não dura muito. (...) Como o adulto não é uma criança, o enamoramento devia ser livre do desejo de posse. Assim, ainda fico mais satisfeito quando a amada tem outros homens», diz. «É sinal de que ela está bem.»


Sexo com todos quatro vezes ao dia

A comuna de Friedrischof durou de 1971 a 1991. Situava-se no campo, a alguns quilómetros da capital austríaca, Viena. Era, na origem, um projecto radical(...)

A filosofia da comunidade de Friedrischof assentava numa sexualidade livre, no fim das relações a dois e da família tradicional. Tudo era possível. Muitos rapavam o cabelo, quem quisesse andava nu. A comuna era auto-suficiente: tinha cozinha, lavandaria, escola, horta, ateliê de pintura e até um estúdio de cinema (Otto realizou vários filmes, além da obra de pintor). As noites eram ocupadas em terapia de grupo. Tocava-se música, dançava-se, fazia-se teatro. Apesar de não ter preparação para o efeito, Otto fazia de psicanalista. Era também o mais velho, os outros andavam na casa dos vinte. «Quando um psiquiatra dorme com o seu paciente, a relação médica termina. Comigo é exactamente o contrário», admitirá, no documentário televisivo Escravos no Paraíso.
. Aos 45 anos, depois de ter sido abandonado pela mulher, Otto Muhl decidiu viver em regime comunitário. Como a sua casa era grande, pô-la à disposição. A coisa correu bem, e Muhl resolveu transpô-la para ponto grande.


O sexo ocupava um papel central. Praticava-se três a quatro vezes ao dia - de manhã, ao meio-dia, ao lanche e ao final da tarde -, sempre com parceiros diferentes. As mulheres mais populares chegavam a precisar de anotar nas agendas os pedidos - às vezes para as três semanas seguintes. A época era indissociável da libertação sexual dos anos 60. Friedrischof era uma espécie de paraíso.

Mas para uma comunidade de sexo livre, havia regras a mais: era proibido ter relações sexuais com o mesmo parceiro mais do que uma vez por semana - ou a pessoa tornava-se «suspeita de manter um relacionamento». As relações sexuais só podiam demorar 10 minutos. As relações homossexuais eram proibidas. O sexo estava absolutamente dissociado do amor - os gestos de carinho eram inexistentes.

Para ler mais
Parte do artigo publicado na revista francesa Courrier International, de 1/8/2003.

30 de junho de 2010

Sexo é seguro em doentes que sofreram enfarte do miocárdio

As pessoas que não falam abertamente sobre sexo com os seus médicos depois de sofrerem um enfarte agudo do miocárdio são menos propensas a retomar a sua actividade sexual, com receio de que a prática lhes possa provocar a morte.
Mas, segundo um estudo da British Heart Foundation, a probabilidade disso acontecer é “muito pequena” e é importante que estes doentes retomem a actividade sexual
.

O estudo, liderado por Stacy Tessler Lindau, envolveu 1.184 homens e 576 mulheres que sobreviveram a um enfarte agudo do miocárdio. Um ano após o enfarte agudo do miocárdio, mais de dois terços dos homens e 40% das mulheres indicaram alguma actividade sexual. Nesse mesmo período, mais homens do que mulheres (38,8% versus 17,5%) referiram terem tido uma conversa sobre esse assunto com o seu médico.
Por outro lado, os homens também afirmaram ser mais activos sexualmente antes do enfarte do miocárdio do que as mulheres: 73,5% contra 43,1%. Mas, segundo os autores, a idade poderá ter tido influência neste tópico, dado que os homens do estudo tinham uma média de 58 anos e as mulheres de 61.


De acordo com o estudo, é normal que os pacientes que sofrem de problemas cardíacos tenham ideias erradas sobre o que é seguro depois de um enfarte. “Com frequência, quem se preocupa não é o próprio paciente mas o seu/sua companheira, que teme que este possa sofrer uma arritmia e que morra. E nada pode estar mais longe da verdade”,
disse à Healthday Dan J. Fintel, professor de Medicina da Northwestern University.

Os especialistas garantem que quem consegue subir dois lances de escadas ou fazer exercício moderado também pode fazer sexo. No entanto, dores no peito durante o sexo devem servir de alerta para parar e consultar um médico.


16 de junho de 2010

BEDPOST o site onde é possivel registar as suas aventuras sexuais...


Encontrei este assunto no site do colega brasileiro Alessandro Ezabella e não resisti em partilhar:


"Alguma vez imaginou um diário em que pudesse registrar com quem fez sexo, quando, como foi, tempo de duração e grau de satisfação?
Os idealizadores do Bedpost levaram a ideia a sério e desenvolveram um diário online em que o/a usuário/a tem a possibilidade de registrar suas parcerias sexuais, a nota para os dias de sexo e a descrição em forma de tags (as populares palavras-chaves).

Os registros geram gráficos em forma de pizza a partir das palavras-chaves que foram atribuídas em cada relação e também pelo horário da relação.

Num primeiro momento, pode-se pensar que a proposta do Bedpost pode soar um tanto narcisista, já que as relações sexuais transformam-se em números e a ênfase recairia na performance sexual e não na qualidade da relação. Por outro lado, e analisando as funcionalidades do site dentro da proposta da terapia sexual, o Bedpost pode ser um bom aliado de pessoas conscientes que queiram avaliar de uma forma mais prática e talvez crítica como anda sua vida sexual.

Uma prova desta possibilidade está justamente nas tags, que permitem que cada pessoa aplique as palavras-chaves mais apropriadas para cada relação e tenham um panorama de quantas relações a pessoa ficou tensa, preocupada, nervosa, excitada, etc.(...)"

Para conhecer o conceito: BEDPOST

15 de junho de 2010

Pequenas Lolitas, o perigo da erotização infantil...alguem se importa verdadeiramente ?



"Lolitas" nas escolas portuguesas

Nas minhas visitas às escolas tenho verificado algo que me tem preocupado e que me levou a reflectir o assunto esta semana.

Infelizmente, nem todos os pais têm concordado com a presença dos filhos nas pequenas palestras em que temos discutido as dúvidas dos mais novos. Alguns consideram prematuro abordar determinados temas, com receio que os mesmos possam despertar a curiosidade dos mais novos para os assuntos do sexo.
Percebo as suas dúvidas e respeito-as... mas será que os educadores estão conscientes dos exemplos que as crianças absorvem quando ligam a televisão lá de casa, quando assistem a determinados concertos e quando são influenciados pela publicidade avassaladora que erotiza cada vez mais precocemente as nossas crianças?

No outro dia estava sentada à frente da TV e, numa manhã, foram vários os abusos que identifiquei: desde personagens que apelavam à sensualidade, às coreografias sensuais repetidas das personagens, às personagens femininas das séries para jovens completamente desnudadas e maquilhadas (…). Perguntei-me que consequências terão estes exemplos? Tenho verificado que as meninas assumem, cada vez mais, o papel de mini-adultas com direito a roupa minúscula e caras besuntadas de base e de maquilhagem… As meninas de 11 e 12 anos parecem ter perdido a infância e, tipo-pipoca saltam cá para fora, servindo de montras sem que as pessoas se incomodem ou falem quase disto.

Meenakshi Gigi Durham, autora do livro “O Efeito Lolita (…)”, aborda a temática dos abusos da erotizarão infantil pelos média, tema ainda pouco discutido no nosso pais. Segundo a autora, cantoras com Christina Aguilera, Britney Spears e Lady Gaga, entre tantas outras pelo mundo fora, apresentam-se como objectos sexuais e inspiram fortemente os mais novos. Durham cita o exemplo de uma menina de 9 anos que veste uma camisola das Pussycat Dolls que diz: “Não gostarias que a tua namorada fosse ‘hot’ como eu?”.

O apelo à sensualidade e sexualização dos mais novos não está nas respostas que se dão às perguntas que eles colocam nas caixas que me entregam e que muitos evitam responder.

Os perigos de uma sexualidade precoce podem estar mais facilmente a ser estimulados por aquilo que os nossos filhos vêm quando ligam a televisão, pelos programas que não se adequam à sua idade, ou por aqueles que apesar de indicados para a sua idade expõem cenas desadequadas ao seu desenvolvimento psico-sexual.

É importante pensarmos que urgentemente vamos ter de nos debruçar sobre este assunto, porque um dia destes chegamos aos jardins-de-infância e já temos as meninas de salto alto e rímel nas pestanas! Não estamos assim tão longe... basta vermos as capas e noticias de muitas revistas cor-de-rosa e as críticas que têm sido feitas à pequena Suri… já um ícone para tantos criadores… Onde será que estão os limites e fronteiras? Onde estarão realmente os primeiros perigos para uma sexualidade precoce e irresponsável? Não me parece que estejam nas perguntas das crianças curiosas…

Esta semana na sábado on line...

14 de junho de 2010

Avaliação e Intervenção nas Disfunções Sexuais 22, 23 e 24 de Junho Das 18:30h às 22:30h


Caríssimos amigos estarei em Faro 3 dias para ministrar uma pequena formação na área das disfunções.
A formação decorrerá na PSIMAR

Objectivos:
Promover aos técnicos uma abordagem bio-psicossocial na área da saúde que trata dos problemas e disfunções sexuais em geral, a sexologia.
Promover a compreensão e intervenção nos principais problemas e disfunções sexuais.
CONTEÚDOS

1. A Sexualidade em Mudança, ontem, hoje e amanhã…
2. Anatomia e Fisiologia Masculina e Feminina
3. Principais Modelos explicativos da Resposta Sexual
4. Motivos que levam às consultas de Sexologia
4.1 Principais Disfunções Sexuais Masculinas
Quais são? Como ocorrem? Como intervir?
4.2 Principais Disfunções Sexuais Femininas
Quais são? Como ocorrem? Como intervir?
5. Intervenção com recurso ao material erótico.
6. A importância da Unidade Conjugal na Função e na Disfunção Sexual.

Preço
65€
(inclui Material de Formação e Certificado de Formação)
Condições e Certificação

Os formandos receberão, no final da formação, um Certificado de Formação sobre “Avaliação e Intervenção nas Disfunções Sexuais”

Inscrição confirmada após pagamento.
Solicite ficha de inscrição:
PSIMAR
Centro de Apoio Psicoterapêutico e Psicopedagógico, Lda.
Rua Miguel Bombarda, nº 27
8000-394 Faro
Tel/Fax: 289 829 033
E-mail: psimar.algarve@gmail.com

26 de maio de 2010

Convívio com pais homossexuais não influencia a orientação sexual dos filhos




Para especialistas, o convívio com pais homossexuais não influencia na
orientação sexual dos pequenos, que tendem a crescer mais tolerantes às
diferenças.
(Artigo brasileiro que passo a transcrever)

"Theodora era uma das 80 mil crianças brasileiras que vivem em abrigos à
espera da adoção. Em 2006, um casal se interessou pela menina e, depois de
cumprir todas as etapas legais, terminou por adotá-la. A história seria
apenas uma entre tantas que ocorrem nas varas da Infância do país não fosse
por um detalhe: em vez de um pai e de uma mãe, a garota ganhou dois pais.
Dorival Pereira de Carvalho Júnior, 47 anos, e Vasco Pedro da Gama, 38, de
Catanduva (SP), formam o primeiro casal homossexual do Brasil a adotar
oficialmente uma criança. A pequena Theodora, hoje com 8 anos."

"A maratona legal que os dois tiveram que concluir foi longa. Como não
existiam casos semelhantes, os dois, que estavam juntos havia 13 anos,
decidiram que o processo seria feito apenas em nome de Vasco. E assim nós
tivemos que cumprir toda a tramitação. Passamos por todas as entrevistas com
psicólogos e assistentes sociais, que visitaram nossa casa e atestaram que
nós tínhamos condições de cuidar de uma criança, conta o pai Vasco, como
é chamado pela garota. A nossa sexualidade foi levada em consideração pela
juíza e por todos que nos entrevistaram. Em nenhum momento alguma das fases
do processo foi facilitada. Nós tivemos que cumpri-las como qualquer outra
pessoa, completa."


Quando Theodora finalmente pôde ir para casa, começou um dilema na família:
como abordar a homossexualidade com a menina, então com 5 anos? Seguindo a
orientação de uma psicóloga. Inicialmente, o Vasco se apresentou como pai, e
eu como tio, conta Júnior. Mas logo nos primeiros dias, ela mesma
visualizou a situação e compreendeu que nós éramos casal e que, portanto,
ela tinha dois pais, explica. Dois ou três dias depois de ir morar com a
gente, ela chegou para mim e se referiu ao Júnior como meu outro pai. Foi
uma coisa que ela percebeu e assumiu com muita naturalidade, completa
Vasco.


Resolvida a questão em casa, o casal resolveu partir para outra batalha
judicial: incluir o nome de Júnior na certidão de nascimento da menina.
Outra decisão favorável permitiu que os nomes de ambos estejam em todos os
documentos de Theodora. Felizmente, nós nunca tivemos problemas. Ela nunca
sofreu nenhum tipo de reação na escola. Pelo contrário, alguns amiguinhos
até ficam com inveja e comentam que também gostariam de ter dois pais”,
brinca Vasco. “Nós deixamos tudo fluir com naturalidade, e isso a ajudou a
compreender nossa situação como uma coisa perfeitamente normal. Sempre a
educamos para perceber e respeitar as diferenças, acrescenta Júnior.


Uma das questões que surgem em relação à adoção de crianças por gays é se a orientação sexual dos pais pode influenciar os filhos a seguirem a mesma
orientação. No entanto, segundo Paige Averett, especialista em
desenvolvimento humano da East Carolina University, nos Estados Unidos, e
autora de uma pesquisa sobre sexualidade de crianças criadas em ambientes
gays, isso não ocorre. Os filhos de pais homossexuais não têm uma
probabilidade mais elevada de serem gays se comparados às crianças de pais
heterossexuais. E isso independe de eles serem biológicos ou adotados”,
conta a pesquisadora em entrevista ao Correio.


De acordo com Paige, essas crianças tendem a compreender como natural a
homossexualidade. Justamente por serem criadas em uma família gay ou
lésbica, elas veem isso como normal, afirma. Segundo a pesquisadora
norte-americana, outra tendência é que a experiência de ser criado por gays
ou lésbicas faça com que a pessoa aceite com mais facilidade diferentes
tipos de família. A maioria das famílias de gays e lésbicas têm um sistema
familiar muito forte, e amigos com núcleos familiares muito diferentes, como
casais sem filhos, casais multiétnicos ou adoção por pais solteiros. Assim,
as crianças crescem em torno dessa variedade e entendem que há um monte de
famílias diferentes, completa a pesquisadora.


A técnica judiciária Maria de Fátima Nascimento Gama, 45 anos, e a
professora Ivana Maria Antunes Moreira, 63, concordam plenamente com as
observações da especialista. Ivana é mãe biológica de Arthur, 21, e Érica,
23. Já Fátima é mãe de Lorena, 21. Na prática, no entanto, os cinco formam
uma grande família. “Quando eu e a Ivana nos unimos, nossos filhos mais
novos tinham apenas 1 aninho. Eles foram criados por nós e nunca tiveram
problemas para aceitar a nossa sexualidade, conta Fátima.


Ela lembra que a única dificuldade que tiveram foi com relação à
desinformação de outras pessoas fora do núcleo familiar. Nossos filhos
nunca sofreram preconceito, mas na escola eles foram questionados várias
vezes sobre quem era a mãe deles, e se eles eram mesmo irmãos. Ainda existe
certa curiosidade das pessoas sobre esse assunto”, conta a técnica
judiciária. Como eles foram criados desde pequenos sabendo que a nossa
família era diferente, também não tiveram problemas para lidar com isso.
Hoje, a Lorena já teve seu primeiro filho, e os outros dois estão na
faculdade. Nós vivemos como qualquer outra família, conta Ivana.
Temos os
mesmos problemas e as mesmas alegrias que qualquer um.


Entrevista


1) Filhos de pais gays tem mais tendência a se tornarem gays no futuro?
A literatura é bastante consistente neste tópico. Filhos de pais gays e
lésbicas geralmente tem mais experiências sexuais (hetero e comportamentos
homossexuais) e estão mais abertos a variação sexual. Quando adolescentes e
adultos, geralmente têm a mesma taxa e porcentagem de ser hetero / do que os
filhos de pais heterossexuais. Assim, os filhos de pais homossexuais não têm
uma taxa mais elevada de ser gay se comparadas às crianças de pais
heterossexuais (E isto é, independentemente de serem biológicos ou
adotivos).

2) Elas tendem a compreender a sexualidade dos pais? Há traumas nesse
sentido?


Sim, as crianças a compreenderem sexualidade dos seus pais como natural e
porque eles são criados em um lar gay, assim como as crianças criadas em
famílias heterossexuais veem isso como normal. Claro que a filhos de gay /
lésbica estão expostos na escola à idéia de que sua família é diferente dos
outros.

No entanto, a maioria das famílias de gays e lésbicas têm sistemas de apoio
muito fortes no lugar e tem grandes redes de familiares e amigos que muitas
vezes são muito diferentes (Adoção de pais solteiros, nascimento, gays,
lésbicas, etc.) Assim, as crianças crescem com e em torno de uma variedade
de estruturas familiares o que facilita elas a entenderem que há um monte de
famílias"diferentes".


3) Existe alguma idade em que a sexualidade deve passar a ser discutida?

A maioria dos especialistas acreditam que a sexualidade deve ser discutida
com as crianças com intencionalidade, conhecimento, a variedade e
naturalidade pelos pais. Muitas vezes, nos E.U.A. vemos que os pais esperam
até que as crianças estão adolescentes (e é muito tarde) para conversar
sobre sexo, muitas vezes, apenas se concentrando nos problemas e
dificuldades na sexualidade (DST, gravidez). Muitos especialistas acreditam
agora que as crianças devem ser criadas para serem informados sobre todos os
áreas da sexualidade - físico, emocional, relacional, cultural desde tenra
idade.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/05/18/brasil,i=1929
56/JUSTICA+BRASILEIRA+MOSTRA+SE+FAVORAVEL+A+ADOCAO+DE+CRIANCAS+POR+CASAIS+GA
YS.shtml

25 de maio de 2010

CRONICA SEMANA SABADO: Perguntas das Crianças nas visitas às escolas




Com o ano lectivo quase no fim tem sido tempo de visitas às escolas, em que as crianças do 1º ciclo têm apresentado as suas dúvidas na área da sexualidade. Apesar de fazer parte dos currículos, muitos professores optam por abordar esta temática de forma muito leve ou, em alguns casos, nem falam destes temas.


Educar para a sexualidade é um terreno sensível que muitos não ousam atravessar, mas cada visita faz-me compreender a sua necessidade.



As crianças aguardam as respostas às perguntas colocadas, sempre recolhidas antecipadamente pelos professores. Muitas afirmam não receber qualquer esclarecimento por parte dos pais, dizem que são enxotados, com as típicas frases “Quando cresceres logo sabes...” “Ainda és muito pequeno...”. Mas a verdade é que a curiosidade não se esgota e, rapidamente as sessões são preenchidas por perguntas desejosas de respostas, que tento que se adeqúem ao seu conhecimento. Nestas sessões não existem perguntas certas nem erradas e tento encontrar a melhor resposta. Inicia-se o desbravamento das ideias e fantasias construídas e, num ápice, as sementinhas, lolós, pilinhas e sexo, transformam-se em óvulos, espermatozóides, vagina, pénis e coito, entre outras.

A maior parte espera com expectativa a explicação para a viagem das sementes - muitos sabem da existência do óvulo e do espermatozóide mas poucos sabem como se encontram...


Menstruação e gravidez são outros temas minados. A maior parte das meninas deste ciclo de ensino sabem que a menstruação existe mas não sabem porquê, acham-na má e abominável, consideram-na suja e repugnante acham que não vão poder fazer ginástica perguntando se dói muito. Desmistificada a situação, parece-me que percebem a sua importância e o privilégio de existir, o que me deixa satisfeita.

Quando chega o momento de abordar a questão da gravidez as perguntas multiplicam-se sendo notórios o interesse e o desconhecimento: querem saber como nascem, porque ficam na barriga nove meses, porque nascem com um qualquer problema, como é que eles se alimentam na barriga da mãe... Algumas são por vezes difíceis de perceber, como por exemplo: “Para que servem as bolhas ou aguarelas?!” que decifro como: bolsa de liquido amniótico.


As crianças estão desejosas de perguntar e de receber respostas. Têm sido frequentes as questões mais polémicas e discutidas nos meios de comunicação social, existem muitos temas que apenas se abordam perante o questionamento dos mais novos mas, enquanto uns ainda andam preocupados em perceber como viajam as sementinhas, já existem os que, da mesma idade, colocam questões pertinentes capazes de corar qualquer um, sendo necessária uma pausa para encontrar a melhor resposta… "Porque é que existem homens que engravidam? Porque é que os padres violam as crianças? Porque é que existem pessoas que fazem operações para ter outro sexo? Porque é que é preciso namorar para fazer amor?…"


Ninguém fica sem resposta às suas perguntas pertinentes… mas há aquelas que são muito difíceis de explicar…E hoje foi exemplo disso:
"Oh, Professora: já percebi as diferenças dos meninos e até como é que se fazem os bebés, mas só ainda não percebi o que é estar apaixonada, nem o que é o amor…" Porque ninguém tem resposta para tudo confesso que talvez a resposta não tenha sido a melhor, mas como foi das perguntas mais difíceis de responder lembrei-me das respostas à pais…


Quando fores crescida vais perceber… enfim… mas é uma coisa muito boa, especial e que serve para nos fazer felizes… não respondi, pois não?


Todas as semanas, aqui
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