28 de novembro de 2010

Curso de Tantra Erótico em Lisboa




No fim-de-semana de 3 a 5 de Dezembro de 2010 realiza-se a última edição deste ano do curso de Tantra Erótico em Lisboa.


A sexualidade e os prazeres que a compõem são - de acordo com os ensinamentos tântricos - energia que quando usada e controlada correctamente aceleram o crescimento espiritual consideravelmente. No tantra é muito importante focarmo-nos mais no amor que no sexo. Aqui, o sexo, é uma energia condutora mas, sem amor, não pode elevar ninguém a um nível superior. Quando combinado e usado da forma correcta este torna-se uma das formas mais rápidas para transformação individual e do casal.


O primeiro curso intensivo de tantra (A relação espiritual 1) é uma forma rápida de mergulhar no mundo do tantra e do yoga e começar a sua prática pessoal de imediato. O curso destina-se a solteiros e casais. Não é necessário nenhum conhecimento ou experiência prévia, apenas alguma coragem e mente aberta. Não há nudez nem pressão de tipo algum para o participante tomar parte em qualquer exercício que viole os seus limites pessoais. Os exercícios eróticos são considerados trabalho de casa.

No curso vão ser apresentados conhecimentos essenciais e técnicas para a prática tântrica, que vai enriquecer a relação, não só ao nível erótico mas aos níveis mais profundos do ser. O aprofundar do amor, da proximidade e da harmonia no casal é um dos objectivos principais deste ensinamento. Enquanto homens e mulheres nós completamo-nos como dois pólos magnéticos. Uma força magnifica que continua a enriquecer a relação ao longo de muitos anos.

A relação espiritual 2 continua directamente do curso elementar. Aqui aprofunda-se o conhecimento, entre outras coisas, acerca da dinâmica e funcionamento de uma relação tântrica e desenvolvimento, os efeitos subtis de fazer amor em diferentes posturas e outras técnicas profundas.


Este segundo curso apresenta geralmente técnicas para uso a dois, enquanto o primeiro curso se foca mais em técnicas individuais - para usar a dois mas que podem ser treinadas a sós.

Para realizar o segundo curso é necessário ter realizado o primeiro.

Mais informações AQUI

ADÚLTERIO, INFEDILIDADE Pesquisadores exploram a natureza do comportamento adúltero






"Pesquisadores resolveram estudar a infidelidade através de um site propício para isso: o site de adultério AshleyMadison.com, iniciado em 2001 como um “serviço discreto de namoro” para pessoas já envolvidas em um relacionamento. O nome do site é uma homenagem a dois nomes populares para meninas na época, uma tentativa de atrair mulheres ao serviço.

Os pesquisadores mapearam anúncios acessíveis ao público de 200 homens e 200 mulheres escolhidos aleatoriamente no site. Eles pesquisaram o que essas pessoas queriam de um relacionamento adúltero: “curto prazo”, “longo prazo”, “indecisos”, “vale tudo”, “caso na internet/bate-papo erótico”, ou “qualquer coisa que me excite”.

Eles também observaram as idades dos anunciantes, as idades dos parceiros que eles buscavam, e o número total de adjectivos que eles usaram para descrever a si mesmos e o que eles queriam em um parceiro, especificamente adjectivos que envolvem riqueza, atributos físicos e realizações educacionais e desportivas.

Os resultados confirmam estereótipos comuns de homens e mulheres. Eles são mais promíscuos, elas são mais exigentes. Os homens, em média de 42 anos, anunciaram “vale tudo” mais de duas vezes mais que as mulheres, enquanto elas, em média com 39 anos, procuraram relacionamentos de longo prazo cerca de dois terços mais do que os homens.

Além disso, as mulheres usavam mais adjectivos para descrever a riqueza e os atributos físicos que eles queriam nos parceiros, enquanto eles usavam mais adjectivos para descrever a própria riqueza, interesses desportivos e realizações educacionais.

Os resultados sugerem que as preferências dos parceiros, mesmo entre pessoas casadas, são baseadas nas tentativas do sexo feminino de chegar a um relacionamento com recursos controlados pelo homem.

As mulheres casadas usaram mais adjectivos para descrever os atributos físicos que procuravam nos parceiros e menos adjectivos para descrever suas qualidades materiais do que as solteiras. Isso sugere que as mulheres comprometidas se empolgam mais com a criação de bons genes para os descendentes. Muitas das mulheres do estudo ainda seriam capazes de engravidar. Mesmo as que não eram, há ainda a satisfação derivada do cruzamento com um companheiro em boa forma física.

Segundo os cientistas, o estudo do adultério é importante no sentido amplo, porque ajuda a entender quem nós somos. Os seres humanos colocam-se em um pedestal, acima de outros seres vivos, mas os dados revelam que somos um produto das mesmas forças selectivas e processos evolutivos que moldaram os outros tipos de vida." Retirado daqui

21 de outubro de 2010

Estilos de Masturbação Feminina e o Orgasmo no Coito, DEFESA DO TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO (15 Outubro)



Ausência...tenho estado ausente mas os últimos tempos têm sido recheados de muitas coisinhas pelo que fica aqui mais uma vez a promessa,de que este espaço será actualizado pelo menos semanalmente..PROMETIDO.
Hoje deixo-vos aqui a discussão do meu trabalho de investigação, lembram-se do meu trabalho de investigação sobre "Estilos de Masturbação Feminina e o Orgasmo no Coito"? Pois é a defesa foi no passado dia 15 de Outubro e tive 18 por unanimidade um MUITO BOM, que me encheu de orgulho...

Deixo-vos parte da discussão do trabalho..para que possam ler algumas conclusões, já estamos a preparar o artigo para publicação ;-)

A presente investigação teve como objectivo o estudo de um dos comportamentos mais enigmáticos da sexualidade feminina, a masturbação, de forma a compreender a relação entre os estilos de masturbação feminina e a capacidade das mulheres atingirem o orgasmo na relação sexual coital (...)

Existem poucos estudos que analisem especificamente a preferência das mulheres no comportamento masturbatório. Esta ausência contrasta com os inúmeros estudos que demonstram a influência do comportamento masturbatório no orgasmo durante a relação sexual ou durante o coito. Desta forma, prevê-se uma desvalorização da génese deste comportamento feminino, em detrimento do seu resultado final, o que poderá ser limitador. Se não percebemos exactamente o que caracteriza o comportamento masturbatório feminino, a preferência estimulatória das mulheres, assim como as variáveis que o acompanham, teremos dificuldade em compreender se este é, realmente, importante para que a mulher atinja mais facilmente o orgasmo durante a relação sexual (...)


A técnica mais seleccionada pelas participantes foi a estimulação do clítoris com a mão. Este resultado vai de encontro aos estudos que revelam a preferência da estimulação deste órgão, Hite (1976, 2002), Atputharajah (1984), Heiman e LoPiccolo (2001), Souza, 1998 cit. por Refoios e colaboradores (2009a), Refoios e colaboradores (2009a, 2009b).

Em relação ao uso de objectos, os resultados vão de encontro às conclusões de Hite (1980) uma vez que a maior parte das mulheres da amostra não revela preferência pela introdução de objectos na vagina. Quando o referem, a preferência das mulheres vai para o uso do próprio dedo(s) (...)

Nas mulheres que referiram o uso de objectos para se estimularem, quer na zona do clítoris quer através da introdução vaginal, a preferência pelos objectos variou desde o início do comportamento masturbatório até ao comportamento actual. Assim, no início da prática masturbatória, as participantes apresentaram uma preferência por objectos mais comuns e com um acesso mais facilitado, como por exemplo os alimentos de forma fálica: cenoura, banana e objectos tais como peluches, canetas, lápis, velas, entre outros (...)

Actualmente os dildos e vibradores apresentam-se no topo dos objectos preferidos pelas mulheres, no entanto, ainda é possível verificar com alguma frequência o recurso ao uso de objectos do quotidiano, como as escovas do cabelo, telecomandos, entre outros. Talvez a falta de informação acerca dos objectos de cariz sexual, ou a vergonha em frequentar uma sex-shop ou mesmo o custo financeiro destes objectos, poderá contribuir para a observação deste resultado(...)

A maior parte da amostra revelou uma preferência pela estimulação directa da zona clitoriana, comparativamente à estrutura da vagina, confirmando os estudos de Fischer, 1978, Atputharajah (1984), Hite (1980, 2002), e Refoios (2009b) (...)


Em relação à capacidade para atingirem o orgasmo quase toda a amostra refere atingir o orgasmo com a auto-masturbação. Quando questionadas sobre a capacidade de atingirem o orgasmo com a penetração a maior parte da amostra afirmou, também, conseguir atingir o orgasmo durante a prática coital o que contrasta com os principais estudos acerca da capacidade orgástica feminina. Hurbert, Apt e Raberhl (1993 cit por Refoios et al 2009a) que demonstraram, por exemplo, que somente 25% das mulheres eram orgásticas com o coito, sendo as mesmas conclusões partilhadas por Hite, (2002); Kaplan (1974) e Refoios (2009b) (...)

Apesar da nossa amostra referir uma elevada capacidade orgástica coital, as participantes referem, precisar de estimulação adicional na zona clitoriana, realizada pela própria ou pelo(a) parceiro(a) para atingirem o orgasmo durante o coito, o que é demonstrativo da importância da estimulação durante a penetração.(...)

A importância e eficiência da estimulação adicional para o orgasmo foram apontadas por diversos autores como preditoras do orgasmo na relação coital, tal como demonstraram Cavalcanti e Cavalcanti (1992); Kaplan (1974); LoPiccolo e Lobitz (1972); Rosen e Leiblum (1995). O assumir da necessidade da estimulação adicional pode estar relacionado com as características das mulheres da amostra. (...)

Na análise das respostas das participantes acerca da auto e da hetero-estimulação encontrámos resultados similares aos apresentados por Hite (1980) verificando-se que as mulheres que referem maior facilidade em atingir o orgasmo com auto-masturbação, revelam menos capacidade orgástica quando são estimuladas pelos parceiros(as), tal facto não parece relacionar-se, neste estudo, com a capacidade de solicitarem essa estimulação, uma vez que grande parte da amostra refere sentir conforto com a solicitação aos parceiros(as) da estimulação da zona clitoriana, por exemplo (...)

Apesar de a maior parte da amostra referir a estimulação clitoriana como preferencial e necessitar de estimulação adicional neste órgão, para atingirem o orgasmo no coito, 36.3% das mulheres refere não necessitar de estimulação clitoriana, e 39.2% das mulheres atribuem a mesma importância à estimulação clitoriana e vaginal. Infelizmente não foi possível verificar se estas se incluem no grupo de 13%, da nossa amostra, que não identifica o clítoris no diagrama da vulva. De facto, quando questionámos as participantes verificamos que, a maior parte, identifica apenas uma das estruturas, glande ou corpo do clítoris e apenas 15,9% referem ambas. Seria importante no futuro fazer esta análise, porque o desconhecimento desta estrutura poderá obviamente levar à sua desvalorização (...)

O facto de muitas mulheres atribuírem ao clítoris e vagina a mesma importância, e referirem não necessitar de estimulação adicional, também encontra explicação na diversidade e complexidade da resposta sexual feminina, sendo previsível que a estimulação da vagina não é tão pouco importante como se imagina. A parte anterior da vagina tem sido alvo de inúmeros estudos, cujas conclusões revelam a sua importância no orgasmo durante a penetração Para Faix, Lapray, Callede, Maubon e Lanfrey (2002) a posição de missionário durante o coito pode ser determinante para o orgasmo coital devido ao contacto do pénis com a parte anterior da vagina. Também, Levin (2007) e Brody (2007a, 2008,2009) têm direccionado os seus estudos para a actividade penetrativa. Brody apresenta uma posição mais controversa afirmando que as mulheres que se masturbam perdem a capacidade para se concentrarem nas sensações e estímulos vaginais, apresentando o comportamento masturbatório como um adverso da capacidade orgástica feminina (...)

De acordo com estes estudos que comprovam a importância da vagina como fonte de prazer, parece cada vez mais importante analisarmos a capacidade orgástica como um todo e não reduzi-la apenas em partes. Parece então cada vez mais evidente, que o prazer feminino não se encontra limitado apenas a uma estrutura, mas sim, à dinâmica de várias estruturas que podem variar de acordo com a sensibilidade de cada mulher, pelo que o estudo das preferências durante o coito poderá ser futuramente mais explorado.

O facto de quase 80% das mulheres referir atingir o orgasmo com a penetração e mais de 36% das mulheres referir não precisar de estimulação clitoriana adicional durante a penetração para atingirem o orgasmo, é demonstrativo da importância da relação coital para o orgasmo feminino, apesar desta estar cada vez mais associada a uma série de outras variáveis, tais como: intimidade; relação com o parceiro(a), apontadas por Basson (2000, 2001ª, 2001b, 2002a, 2002b,) e por Levine (1991); entre outras(...)

Tendo em conta que as mulheres indicam percepcionar mais intimidade e proximidade com o parceiro durante a prática penetrativa coital, pode justificar-se, de certa forma, a preferência feminina pela actividade penetrativa. Estudos incluindo variáveis como a intimidade no coito poderão ser muito importante para compreender a sexualidade feminina. Uma vez que Hite (1980) demonstrou que apesar de não atingirem o orgasmo muitas mulheres percepcionam a relação coital como uma prática muito satisfatória.(...)

Os resultados da amostra acerca da receptividade são claros: a maior parte da amostra selecciona o lado emocional em detrimento da habilidade técnica do parceiro, do contacto corporal, da erecção peniana e da diversidade sexual na opção dos múltiplos parceiros. Tal facto é confirmado ainda pela forma como as mulheres descrevem a sua satisfação na relação com o parceiro, apresentando uma média bastante elevada ao nível da satisfação na relação sexual.(...)

(Ilustração de Ana Ventura)

1 de setembro de 2010

A não perder: «Mironescópio: A Máquina do Amor» - pela companhia Tarumba-Teatro de Marionetas





"Um espectáculo de pequenas formas inspirado nos antigos Peep Shows e nas primeiras experiências cinematográficas realizadas no século XIX, com a utilização de aparelhos como o Cinetoscópio e o Mutoscópio. Os grandes especialistas da arte erótica, Dr. Erotikone, Madame Gigi e Madame Mimi, entre outros convidados, actuam pela primeira vez em Lisboa e trazem consigo os seus valiosos Mironescópios. Aqui não existem barreiras, o amor é livre! Venha descobrir o que aconteceu realmente no Paraíso… entre muitas outras surpresas nunca antes vistas.
Produção Tarumba-Teatro de Marionetas, com direcção artística e construção de Luís Vieira e Rute Ribeiro, actores-manipuladores: Rute Ribeiro, Catarina Côdea e Luís Vieira."


Festival Internacional de Marionetas do Porto, nos dias 18 e 25 de Setembro.

Morada: Rua Passos Manuel, 44, Porto
Metro mais próximo: Bolhão / Aliados
STCP: 55, 69, 70, 94, 200, 207, 300, 301, 302,305, 401,800, 801
Tel. 223320419 / 223320053

Preço: 5€ (desconto 20% para menores de 25 e maiores de 60 anos; estudantes, grupos, profissionais)


Informações aqui




18 Setembro Conferência Sexualidade Feminina, Mitos e Verdades


"A nossa sexualidade influencia a forma como sentimos todas as coisas. O amor, a compaixão, a alegria, a felicidade e o prazer. A experiência sexual pode ser uma fonte positiva de enriquecimento e satisfação pessoal, quando assente em escolhas informadas e decisões conscientes. Mas também pode ser uma fonte de frustração, quando vivida pela metade...


Actualmente, dentro dos consultórios, poucos são os médicos que questionam a satisfação sexual das suas pacientes e poucas são as mulheres que têm a coragem de colocar dúvidas aos seus médicos. No entanto, na realidade, muitas queixam-se da diminuição ou até mesmo da falta de desejo sexual, da dificuldade em atingir o orgasmo, de dores durante as relações e permanecem com muitas dúvidas acerca do próprio corpo.


Por todos estes motivos, a Conferência Sexualidade Feminina – Mitos e Verdades destina-se ao público em geral e não apenas aos profissionais de saúde. Com esta conferência queremos esclarecer todas as dúvidas e fornecer meios para que as mulheres possam conhecer melhor o seu corpo, e consequentemente, atingir a plenitude sexual.


"Venha desmistificar todos os tabús e aprender a viver a sua sexualidade em pleno!"


Dia 18 de Setembro de 2010, das 13h45 às 19h30, na Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa. Bilhetes à venda na Ticketline (€30,00).


Organização: Ser Inteiro / O Períneo
Apoio: Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa
Patrocínio: Nutrilite
Media Partner: Máxima




Informação retirada daqui: http://espaco-ser-inteiro.blogspot.com/.

Obrigada Inês

14 de julho de 2010

Otto Mühl com exposição em Viena


Os sobreviventes da maior comunidade de sexo livre da Europa refugiaram-se em Portugal. O seu guru, o pintor Otto Mühl, passou seis anos na prisão por pedofilia. Hoje, vive entre Faro e Tavira e verá os seus tabalhos expostos em mais um grande museu de arte Museu Leopold de Viena, o que está a relançar a poémica, ver mais em noticia, aqui.

Textos de Katya Delimbeuf

Nos confins da serra algarvia, várias famílias estrangeiras habitam em regime de comunidade. Uma comuna. Cinco autodenominadas «famílias de artistas» vivem ali há quatro anos, tentando «fazer da vida uma obra de arte». O facto pouco teria de relevante, não fosse a comunidade ser liderada por quem é: Otto Mühl é um pintor de renome internacional, mas também o fundador da Comuna de Friedrischof, na Áustria, em 1971. Esta comunidade, onde se praticava o sexo livre, onde os conceitos de família tradicional foram abolidos e se partilhava a intimidade com centenas de pessoas, foi a experiência do género que mais sucesso teve na sua época, chegando a reunir mais de 600 membros.


Além de ousada e inédita, à Comuna de Friedrischof não faltou polémica: o conceito de casal arrasado, os aprendizados sociais questionados, o dia-a-dia ocupado em «sexo, arte e terapia» ajudaram facilmente à controvérsia.


Em 1991, Otto Mühl foi condenado a oito anos de prisão por pedofilia e incentivo ao uso de drogas. Cumprida a pena, refugiou-se em Portugal. Apesar de estar referenciado pelo SIS, ninguém conseguiu provar que mantém o tipo de vida que sempre o caracterizou. O Expresso encontrou-o - e à sua pequena comunidade de 26 adultos e crianças - e conversou com ele. Falou-se da obra artística, da pena de prisão, da experiência de Friedrischof, do quotidiano no nosso país. É a história de um «artista do século XXI» que acredita estar à frente de um projecto de vanguarda, considera ter enfrentado a punição da sociedade do seu tempo por ter ousado ser diferente, mas que crê: o futuro far-lhe-á justiça.


O Museu do Louvre expôs quadros dele em duas mostras: «Posséder et Détruire - Stratégies Sexuelles dans l'Art d'Occident» (Possuir e Destruir - Estratégias Sexuais na Arte Ocidental), em 2000, e «La Peinture comme Crime ou La Part Maudite de la Modernité» (A Pintura como Crime ou A Parte Maldita da Modernidade), em 2002. Mühl viu assim a sua obra ombrear com as de Picasso, Goya, Yves Klein, Jackson Pollock, Miguel Ângelo ou Klimt.


Os críticos sentenciaram: o Louvre tinha ajudado a consagrar a obra do polémico artista, que se celebrizara nos anos 60 pelas suas «acções materiais» (ou «performances»), em que substâncias como molho de tomate, compota, amoníaco, ovos, azeite ou leite acabavam geralmente em cima do corpo nu de uma mulher. Essa corrente artística ficou conhecida por «accionismo vienense». «Até a Áustria, que condenou Otto por pedofilia, quer comemorar os seus 80 anos (Mühl tem, neste momento, 77) com pompa e circunstância», diz Danièle. «Mas é óbvio que ele não tenciona lá pôr os pés enquanto o julgamento não for revisto...»


É por um caminho de terra batida, perceptível apenas para quem conhece, perto da aldeia de Moncarapacho, que se tem acesso à comuna.


Da antiga comuna, nas palavras de Otto Mühl, resta «a assistência comum às crianças, a sexualidade comum dos adultos, o abastecimento comum - compras, cozinha, automóvel...» O pintor assegura, no entanto, que são mais as diferenças do que as semelhanças entre a grande comunidade fundada em 1971 e a vida de hoje. As distinções passam por pontos importantes: «Hoje procuramos contacto com o exterior e são possíveis relações a dois (facto novo em relação a Friedrischof)», diz. «Tenho uma relação a dois com a minha mulher Claudia, o que não me impede de ter relações intensas com outras mulheres. Tudo é possível, mesmo ligações sexuais com o exterior. Contudo, devido ao perigo de infecções, a alternativa é a sexualidade dentro do grupo. Para quem tiver contacto com o exterior, a sexualidade dentro da comunidade deixa de ser possível até que sejam feitas análises. O grupo protege-se assim da sida e de outras doenças. Não se trata de uma barreira moral. Temos um membro que teve contacto sexual com o exterior e que continua a pertencer à comuna», afiança Otto.


O sexo livre no interior da comuna é assumido com naturalidade. Mas «os adultos não têm hoje relações sexuais com os jovens», garante Mühl. «Estes tendem a praticar a sua sexualidade no exterior. Não têm intenção de se integrar sexualmente. Uma menina de 17 anos tem um amigo em Paris que nos virá visitar em breve.» Esta é uma revelação importante, dado que Mühl foi condenado por pedofilia - o que o coloca sob o olhar atento da polícia europeia. Quanto às queixas apresentadas por adolescentes saídas de Friedrischof, e que estiveram na origem da sua condenação, Otto afiança: «As raparigas foram pressionadas, porque lhes disseram que iriam parar à prisão se não depusessem contra mim. Uma pessoa tem de ser já muito consciente e segura de si para não se deixar impressionar pela pressão moral de um processo judicial.»


Actualmente, a comunidade divide o tempo entre pintura, música e convívio. «Há um horário firme de refeições, encontramo-nos muitas vezes ao fim do dia e entregamo-nos espontaneamente ao canto e à dança. Por vezes ocupo-me a pintar e a escrever, trabalho para exposições. Tenho um dia-a-dia muito variado.»


Sobre si, Otto afirma: «Não sou um revolucionário. Sou um pedagogo, na verdade sou um professor de liceu - estudei pedagogia, alemão, história e psicologia, e mais tarde frequentei a Academia de Arte de Viena. Considero a nossa vida comunal aqui no Algarve como um projecto de investigação social.» Vai mais longe: «Pelos nossos filhos se vê que a nossa vida não é uma utopia.» E acrescenta, fazendo uma estranha referência divina, ele, que se considera «por princípio, contra todo o tipo de fé»: «Neste caso, cito as palavras de Jesus: nos teus frutos te deves reconhecer.»



Sobre a abolição do conceito de casal, que praticou durante vinte anos em Friedrischof, Mühl explica: «O que me interessa é a superação do ciúme. É preciso garantir à mulher o direito de decidir quando, onde e com quem quer praticar a sua sexualidade, sem que o parceiro se sinta no direito de a censurar por isso. (...) Sigmund Freud afirma que o enamoramento, quando uma pessoa se apaixona, é uma regressão infantil. O enamorado comporta-se como uma criança perante a mãe. Trata-se de uma circunstância hormonal que, como se pode ver pelas taxas de divórcio no mundo ocidental, não dura muito. (...) Como o adulto não é uma criança, o enamoramento devia ser livre do desejo de posse. Assim, ainda fico mais satisfeito quando a amada tem outros homens», diz. «É sinal de que ela está bem.»


Sexo com todos quatro vezes ao dia

A comuna de Friedrischof durou de 1971 a 1991. Situava-se no campo, a alguns quilómetros da capital austríaca, Viena. Era, na origem, um projecto radical(...)

A filosofia da comunidade de Friedrischof assentava numa sexualidade livre, no fim das relações a dois e da família tradicional. Tudo era possível. Muitos rapavam o cabelo, quem quisesse andava nu. A comuna era auto-suficiente: tinha cozinha, lavandaria, escola, horta, ateliê de pintura e até um estúdio de cinema (Otto realizou vários filmes, além da obra de pintor). As noites eram ocupadas em terapia de grupo. Tocava-se música, dançava-se, fazia-se teatro. Apesar de não ter preparação para o efeito, Otto fazia de psicanalista. Era também o mais velho, os outros andavam na casa dos vinte. «Quando um psiquiatra dorme com o seu paciente, a relação médica termina. Comigo é exactamente o contrário», admitirá, no documentário televisivo Escravos no Paraíso.
. Aos 45 anos, depois de ter sido abandonado pela mulher, Otto Muhl decidiu viver em regime comunitário. Como a sua casa era grande, pô-la à disposição. A coisa correu bem, e Muhl resolveu transpô-la para ponto grande.


O sexo ocupava um papel central. Praticava-se três a quatro vezes ao dia - de manhã, ao meio-dia, ao lanche e ao final da tarde -, sempre com parceiros diferentes. As mulheres mais populares chegavam a precisar de anotar nas agendas os pedidos - às vezes para as três semanas seguintes. A época era indissociável da libertação sexual dos anos 60. Friedrischof era uma espécie de paraíso.

Mas para uma comunidade de sexo livre, havia regras a mais: era proibido ter relações sexuais com o mesmo parceiro mais do que uma vez por semana - ou a pessoa tornava-se «suspeita de manter um relacionamento». As relações sexuais só podiam demorar 10 minutos. As relações homossexuais eram proibidas. O sexo estava absolutamente dissociado do amor - os gestos de carinho eram inexistentes.

Para ler mais
Parte do artigo publicado na revista francesa Courrier International, de 1/8/2003.

30 de junho de 2010

Sexo é seguro em doentes que sofreram enfarte do miocárdio

As pessoas que não falam abertamente sobre sexo com os seus médicos depois de sofrerem um enfarte agudo do miocárdio são menos propensas a retomar a sua actividade sexual, com receio de que a prática lhes possa provocar a morte.
Mas, segundo um estudo da British Heart Foundation, a probabilidade disso acontecer é “muito pequena” e é importante que estes doentes retomem a actividade sexual
.

O estudo, liderado por Stacy Tessler Lindau, envolveu 1.184 homens e 576 mulheres que sobreviveram a um enfarte agudo do miocárdio. Um ano após o enfarte agudo do miocárdio, mais de dois terços dos homens e 40% das mulheres indicaram alguma actividade sexual. Nesse mesmo período, mais homens do que mulheres (38,8% versus 17,5%) referiram terem tido uma conversa sobre esse assunto com o seu médico.
Por outro lado, os homens também afirmaram ser mais activos sexualmente antes do enfarte do miocárdio do que as mulheres: 73,5% contra 43,1%. Mas, segundo os autores, a idade poderá ter tido influência neste tópico, dado que os homens do estudo tinham uma média de 58 anos e as mulheres de 61.


De acordo com o estudo, é normal que os pacientes que sofrem de problemas cardíacos tenham ideias erradas sobre o que é seguro depois de um enfarte. “Com frequência, quem se preocupa não é o próprio paciente mas o seu/sua companheira, que teme que este possa sofrer uma arritmia e que morra. E nada pode estar mais longe da verdade”,
disse à Healthday Dan J. Fintel, professor de Medicina da Northwestern University.

Os especialistas garantem que quem consegue subir dois lances de escadas ou fazer exercício moderado também pode fazer sexo. No entanto, dores no peito durante o sexo devem servir de alerta para parar e consultar um médico.


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