4 de fevereiro de 2011

EROS PORTO 2011






Carissimos, cá estou em mais um Eros Porto. Envolvida neste negativismo que atravessamos com as frequentes queixas económicas, confesso que estava curiosa para sentir a adesão dos habitantes do norte a mais um Salão Erotico. Com Andreia Leal como convidada de honra, os portuences, aderiram ao primeiro dia,ontem, e à noite estava tudo animado.
Nos vários palcos foi possivel vershows onde a sensualidade e erotismo tiveram o papel principal.
Apesar de o tema em todos os cantos da cidade ser a CRISE, apesar de achar que andamos todos mais deprimidos e contidos, o Eros Porto insurge-se como uma pilula milagrosa capaz de despertar os nossos desejos mais adormecidos, uma montra de tentações para o nosso astral deprimido.
Os casais passeam-se pelo espaço admirando tudo à sua volta e acumulam-se nas filas aguardando ver sempre algo mais...
Aqui fica um bocadinho do que foi ontem...Não deixem de vir e já sabem que o CONSULTORIO marca tambem este ano, a sua presença. De forma gratuita venha esclarecer-se...e se não tiver qualquer dúvida, venha ver, observar e despertar o desejo que há em si,ainda que lhe desconheça a morada. Sem preconceitos, Eros Porto em GONDOMAR...VENHA!

13 de janeiro de 2011

OPERAÇÃO: Espevitar o desejo! O Comando é meuuuu


Acho que não preciso justificar aqui o marasmo e tristeza que vemos todos os dias nas caras dos que connosco se cruzam.
Palavras de negativismo, medo e apelos à contenção condicionam o nosso humor e disposição. Num ápice a palavra crise entrou nas nossas vidas e dizem, os mais pessimistas, que veio para ficar. Este desalento e falta de motivação mexerica com tudo à nossa volta e rapidamente apaga das nossas cabeças todos os desejos de aventura e de emoção.
Alguns dizem que o desejo hibernou ou imigrou mas baixar os braços é que não pode mesmo ser…No meio de tanto pessimismo não podemos colocar em “banho maria” os nossos sentimentos e voltar as costas constantemente ao outro. Apesar de tudo nos travar não podemos deixar que isto bloqueie o nosso desejo e nos impeça de mostrar que continuamos apaixonados. Apesar da disposição, aparentemente ser pouca, é urgente fazermos entrar na nossa intimidade uma lufada de ar fresco…e porque o sexo nos deixa com toda a certeza mais felizes e relaxados porquê fugir dele constantemente?
O sexo pode ser uma forma de aliviar o nosso stress, o afastamento só potencia as dificuldades. Não se assuste se o desejo teima em não comparecer e se a performance está longe dos seus tempos áureos é tempo de arregaçar as mangas e decidir…que a crise…fica fora da sua intimidade, acredite que se entre os lençóis a coisa anda bem, certamente que o resto lhe vai parecer menos pesado, quer experimentar? por Vânia Beliz

Na Imagem: Cry Baby é o primeiro massajador pessoal sem fios activado por controlo remoto. Pode secretamente variar as sensações e surpreender a sua parceira com uma escolha de 10 modos de vibração distintos.
Vende-se aqui

11 de janeiro de 2011

Quando o prazer se transforma numa armadilha....



Porque às vezes o prazer pode colocar-nos em risco....deixo aqui o fantástico artigo da jornalista Paula Cosme Pinto para a ÚNICA!


Sexo: Prazer... de cortar a respiração


Há quem sinta prazer ao ser asfixiado... e quem acabe por morrer, como o
actor David Carradine e o apresentador inglês Kristian Digby. Afinal, porque
é que tanta gente arrisca a asfixia erótica?


Texto de Paula Cosme Pinto (www.expresso.pt)

"Tapar a boca com a mão ou com uma almofada, meter uma máscara de látex na
cabeça, prender uma corda ao pescoço... A busca do prazer através da asfixia
tem chegado às luzes da ribalta, mas pelos piores motivos: em vez de um
orgasmo como clímax, a brincadeira sexual arriscada termina muitas vezes em
morte."

Em Junho de 2009, o actor da série "Kung-Fu", David Carradine, de 72 anos,
foi encontrado morto num quarto de hotel em Banguecoque. Estava todo nu, com
uma corda ao pescoço e outra a amarrar os órgãos genitais. Já em março deste
ano, o apresentador da BBC Kristian Digby, de 32 anos, foi também encontrado
sem vida em casa, com um saco de plástico na cabeça, preso por um cinto ao
pescoço. Depois das respectivas autópsias, ambas as mortes foram arquivadas
como casos de "asfixia auto-erótica" que correram mal.

Embora em Portugal estes casos não cheguem às folhas dos jornais, o
psiquiatra Afonso de Albuquerque garante que "todos os anos cinco a oito
portugueses morrem de asfixiofilia autoinduzida". Prática que pertence ao
grupo das parafilias, ou seja, das preferências eróticas pouco comuns.

"Ao nível do cérebro, o lóbulo frontal vai sendo desligado pela falta de
oxigenação. Ficam assim desinibidas todas as estruturas que gerem o
autocontrolo, o que leva ao aumento da intensidade das fantasias, da erecção,
chegando mesmo a atingir-se o orgasmo", explica o especialista, que escreveu
o livro "Minorias Eróticas e Agressores Sexuais", onde a asfixiofilia é
descrita como uma prática "particularmente perigosa". "Além da possibilidade
de culminar com a morte dos envolvidos, um cérebro que não recebe sangue
repetidamente não fica certamente em boas condições mesmo que sobreviva."

O médico alerta ainda para os perigos dos desmaios em cenário de
auto-masturbação. "A pessoa geralmente prende o pescoço com uma corda ou um
cinto e põe-se numa posição em que o simples peso do corpo leve à asfixia
gradual, com pequenas perdas de consciência", conta Afonso de Albuquerque.
"Se calha a desmaiar, pode tornar-se demasiado tarde para desapertar o laço
e conseguir evitar a morte."

Embora seja mais comum correr mal quando são auto induzidas, as práticas de
asfixia são também muito comuns a dois, em jogos de sadomasoquismo. "Em vez
de actividade masturbatória, passa a haver um jogo a dois de domínio e
submissão." E o psiquiatra aproveita para relembrar: "Os estudos apontam que
para cada mulher submissa existem 20 homens que o são."


À tua mercê


Lady M., 29 anos, dominadora de renome no panorama nacional do Bondage
Domínio Sadismo e Masoquismo (BDSM), não tem dúvidas quanto ao breath play
(jogo de respiração): "Controlar o ar que o outro respira ou não é uma
sensação de poder única e superior." Entre os submissos, submissas e
escravos que passam pelo seu estúdio, o pedido de asfixia é "frequente",
seja com a mão, máscaras de gás ou látex.

É o caso de JMSlave, um submisso de 54 anos, que gosta de se "sentir nas
mãos" da sua "dona e senhora", sem saber "até onde ela irá" ou até onde ele
conseguirá "aguentar". A "ideia do perigo", essa, faz assumidamente parte do
prazer. Contudo, o submisso, que prefere não revelar a sua verdadeira
identidade, assegura: "Sei que está tudo sob controlo. É como conduzir a
alta velocidade. Primeiro temos de ter noção do domínio do carro e conhecer
a estrada por onde seguimos." Quanto às mortes que chegam à comunicação
social com cada vez mais regularidade, JMSlave conclui: "São situações
desregradas que nada têm a ver com a prática cuidada que este fetiche
exige."

Com "patamares de excitação difíceis de controlar", o conhecimento mútuo dos
limites dos envolvidos é primordial nesta prática. Lady M, dominadora para
quem "nenhum pedido é bizarro", garante que nunca teve uma experiência que
corresse mal. Contudo, existem regras: "O submisso não pode estar
imobilizado de forma alguma, porque nunca se sabe se me pode acontecer a mim
alguma coisa e perder o controlo da situação."


Parafilia do foro psiquiátrico


São precisamente os casos que ficam fora de controlo e terminam de forma
dramática que chegam à classe médica. "É raro pedirem-nos ajuda", conta o
psiquiatra Afonso de Albuquerque, que ressalva: "Esta parafilia pertence à
lista de doenças do foro psiquiátrico e tem tratamento se o seu praticante
quiser, o que se conta pelos dedos das mãos."

Quanto aos casos analisados, os que chegam ao consultório do psiquiatra vêm
na maioria das vezes através de processos médico-legais. "A própria polícia
fica confusa com o que se passou, podendo interpretar os cenários como
suicídio ou assassínio." Embora no mundo BDSM as "práticas sejam
consentâneas", em caso de morte de um dos envolvidos quem sobrevive pode
"ficar em maus lençóis" para provar a sua inocência, lembra o médico.
Contactada pelo Expresso, a Polícia Judiciária diz não ter quaisquer dados
específicos sobre mortes relacionadas com asfixiofilia.

Embora para muitos a asfixia erótica seja ainda um tabu bem guardado dentro
das quatro paredes do quarto, há nomes que ficaram imortalizados
precisamente por causa dessa prática. Uns porque, como Carradine, Digby ou
ainda o vocalista dos INXS, Michael Hutchence, deixam os seus fãs
boquiabertos com o bizarro desfecho das suas vidas. Outros porque - tal como
a japonesa Sada Abe, que matou o amante por asfixia e depois lhe cortou o
pénis e os testículos acabam por ser inspiração de realizadores de filmes
eróticos de culto, como o emblemático "Império dos Sentidos".

Embora possam ser usadas drogas que propiciem a dificuldade de oxigenação no
cérebro, o estrangulamento continua a ser o preferido dos aficionados desta
prática. "O elemento fundamental nos jogos sadomasoquistas nem sequer é o
orgasmo ou o prazer físico sexual", conclui o psiquiatra. "É acima de tudo o
prazer que se exerce ou deixa exercer sobre si próprio. É a eterna questão
do domínio."

(Texto publicado na edição de 30 de Dezembro da revista Única)

Foto aqui


Amanhã defesa da Tese de Investigação:Poliamor e Cultura Contemporânea / Cibercultura




A abrir o ano....

Se vai estar amanhã por Lisboa cá está um momento que não deve perder o assunto não podia ser mais interessante...Daniel Cardoso, apresentará os resultados da sua investigação na área do POLIAMOR.

Aqui ficam todas as referencias para que consiga lá chegar assim como o resumo gentilemente cedido pelo autor.

(Boa sorte Daniel ;-) )
Local:
Dia 12 de Janeiro, às 15h, no Auditório 1, da FCSH - UNL, torre B.

----ABSTRACT----

Esta tese tem como objectivo principal determinar se os utilizadores da mailing list alt.polyamory, ao verterem as suas experiências pessoais em texto, estão ou não a incidir em práticas queer de questionamento da normativização monogâmica e heterocêntrica, agindo como agentes auto-reflexivos que procuram cuidar de si (gnothi seauton) através da escrita (etopoiética) e leitura de si, ao invés de serem motivados pela tecnologia confessional; se, por analogia, o poliamor pode ser considerada como uma identidade queer. Dado que o poliamor é uma iteração da relação pura de Giddens, os desafios e contradições que apresenta colocam desafios específicos aos sujeitos, e necessitam de ser interpretados à luz das interacções entre dispositivo de aliança e de sexualidade. Recorreu-se também à elaboração teórica sobre a natureza das comunidades virtuais contemporâneas para contextualizar a recolha de dados. Para obter uma resposta, analisaram-se as trocas de emails iniciadas por utilizadores recém-chegados durante o ano de 2009, utilizando análise estatística, análise de conteúdo e análise de discurso. Os resultados apontam para uma diferenciação entre o grupo de recém-chegados e o grupo nuclear da mailing list, sendo que só os últimos mantêm, na lista, práticas potencialmente não-hegemónicas de subjectivação. O poliamor é então identificado como sendo, mais do que uma prática sexual, um posicionamento moral que envolve profundamente o sujeito na sua produção de si, e onde a parrhēsia (franqueza) é o principal elemento avaliativo da moralidade do sujeito poliamoroso. Esta parrhēsia é fundamental para a manutenção da autonomia do Eu, pelo que ela é oferecida mas também exigida do Outro; a equidade da relação de alteridade é fundamental para o sujeito que, sem o Outro, não se pode constituir como tal. Se tudo isto permite ao indivíduo questionar o horizonte de possibilidades daquilo que o constitui como sujeito, abre também a porta a uma possível hegemonização desta moral para todas as relações de intimidade.

PALAVRAS-CHAVE: poliamor, alt.polyamory, cuidado de si, escrita de si, parrhēsia, queer, intimidade, relação pura, sexualidade, individualização, comunidade virtual

Imagem daqui

28 de novembro de 2010

Curso de Tantra Erótico em Lisboa




No fim-de-semana de 3 a 5 de Dezembro de 2010 realiza-se a última edição deste ano do curso de Tantra Erótico em Lisboa.


A sexualidade e os prazeres que a compõem são - de acordo com os ensinamentos tântricos - energia que quando usada e controlada correctamente aceleram o crescimento espiritual consideravelmente. No tantra é muito importante focarmo-nos mais no amor que no sexo. Aqui, o sexo, é uma energia condutora mas, sem amor, não pode elevar ninguém a um nível superior. Quando combinado e usado da forma correcta este torna-se uma das formas mais rápidas para transformação individual e do casal.


O primeiro curso intensivo de tantra (A relação espiritual 1) é uma forma rápida de mergulhar no mundo do tantra e do yoga e começar a sua prática pessoal de imediato. O curso destina-se a solteiros e casais. Não é necessário nenhum conhecimento ou experiência prévia, apenas alguma coragem e mente aberta. Não há nudez nem pressão de tipo algum para o participante tomar parte em qualquer exercício que viole os seus limites pessoais. Os exercícios eróticos são considerados trabalho de casa.

No curso vão ser apresentados conhecimentos essenciais e técnicas para a prática tântrica, que vai enriquecer a relação, não só ao nível erótico mas aos níveis mais profundos do ser. O aprofundar do amor, da proximidade e da harmonia no casal é um dos objectivos principais deste ensinamento. Enquanto homens e mulheres nós completamo-nos como dois pólos magnéticos. Uma força magnifica que continua a enriquecer a relação ao longo de muitos anos.

A relação espiritual 2 continua directamente do curso elementar. Aqui aprofunda-se o conhecimento, entre outras coisas, acerca da dinâmica e funcionamento de uma relação tântrica e desenvolvimento, os efeitos subtis de fazer amor em diferentes posturas e outras técnicas profundas.


Este segundo curso apresenta geralmente técnicas para uso a dois, enquanto o primeiro curso se foca mais em técnicas individuais - para usar a dois mas que podem ser treinadas a sós.

Para realizar o segundo curso é necessário ter realizado o primeiro.

Mais informações AQUI

ADÚLTERIO, INFEDILIDADE Pesquisadores exploram a natureza do comportamento adúltero






"Pesquisadores resolveram estudar a infidelidade através de um site propício para isso: o site de adultério AshleyMadison.com, iniciado em 2001 como um “serviço discreto de namoro” para pessoas já envolvidas em um relacionamento. O nome do site é uma homenagem a dois nomes populares para meninas na época, uma tentativa de atrair mulheres ao serviço.

Os pesquisadores mapearam anúncios acessíveis ao público de 200 homens e 200 mulheres escolhidos aleatoriamente no site. Eles pesquisaram o que essas pessoas queriam de um relacionamento adúltero: “curto prazo”, “longo prazo”, “indecisos”, “vale tudo”, “caso na internet/bate-papo erótico”, ou “qualquer coisa que me excite”.

Eles também observaram as idades dos anunciantes, as idades dos parceiros que eles buscavam, e o número total de adjectivos que eles usaram para descrever a si mesmos e o que eles queriam em um parceiro, especificamente adjectivos que envolvem riqueza, atributos físicos e realizações educacionais e desportivas.

Os resultados confirmam estereótipos comuns de homens e mulheres. Eles são mais promíscuos, elas são mais exigentes. Os homens, em média de 42 anos, anunciaram “vale tudo” mais de duas vezes mais que as mulheres, enquanto elas, em média com 39 anos, procuraram relacionamentos de longo prazo cerca de dois terços mais do que os homens.

Além disso, as mulheres usavam mais adjectivos para descrever a riqueza e os atributos físicos que eles queriam nos parceiros, enquanto eles usavam mais adjectivos para descrever a própria riqueza, interesses desportivos e realizações educacionais.

Os resultados sugerem que as preferências dos parceiros, mesmo entre pessoas casadas, são baseadas nas tentativas do sexo feminino de chegar a um relacionamento com recursos controlados pelo homem.

As mulheres casadas usaram mais adjectivos para descrever os atributos físicos que procuravam nos parceiros e menos adjectivos para descrever suas qualidades materiais do que as solteiras. Isso sugere que as mulheres comprometidas se empolgam mais com a criação de bons genes para os descendentes. Muitas das mulheres do estudo ainda seriam capazes de engravidar. Mesmo as que não eram, há ainda a satisfação derivada do cruzamento com um companheiro em boa forma física.

Segundo os cientistas, o estudo do adultério é importante no sentido amplo, porque ajuda a entender quem nós somos. Os seres humanos colocam-se em um pedestal, acima de outros seres vivos, mas os dados revelam que somos um produto das mesmas forças selectivas e processos evolutivos que moldaram os outros tipos de vida." Retirado daqui

21 de outubro de 2010

Estilos de Masturbação Feminina e o Orgasmo no Coito, DEFESA DO TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO (15 Outubro)



Ausência...tenho estado ausente mas os últimos tempos têm sido recheados de muitas coisinhas pelo que fica aqui mais uma vez a promessa,de que este espaço será actualizado pelo menos semanalmente..PROMETIDO.
Hoje deixo-vos aqui a discussão do meu trabalho de investigação, lembram-se do meu trabalho de investigação sobre "Estilos de Masturbação Feminina e o Orgasmo no Coito"? Pois é a defesa foi no passado dia 15 de Outubro e tive 18 por unanimidade um MUITO BOM, que me encheu de orgulho...

Deixo-vos parte da discussão do trabalho..para que possam ler algumas conclusões, já estamos a preparar o artigo para publicação ;-)

A presente investigação teve como objectivo o estudo de um dos comportamentos mais enigmáticos da sexualidade feminina, a masturbação, de forma a compreender a relação entre os estilos de masturbação feminina e a capacidade das mulheres atingirem o orgasmo na relação sexual coital (...)

Existem poucos estudos que analisem especificamente a preferência das mulheres no comportamento masturbatório. Esta ausência contrasta com os inúmeros estudos que demonstram a influência do comportamento masturbatório no orgasmo durante a relação sexual ou durante o coito. Desta forma, prevê-se uma desvalorização da génese deste comportamento feminino, em detrimento do seu resultado final, o que poderá ser limitador. Se não percebemos exactamente o que caracteriza o comportamento masturbatório feminino, a preferência estimulatória das mulheres, assim como as variáveis que o acompanham, teremos dificuldade em compreender se este é, realmente, importante para que a mulher atinja mais facilmente o orgasmo durante a relação sexual (...)


A técnica mais seleccionada pelas participantes foi a estimulação do clítoris com a mão. Este resultado vai de encontro aos estudos que revelam a preferência da estimulação deste órgão, Hite (1976, 2002), Atputharajah (1984), Heiman e LoPiccolo (2001), Souza, 1998 cit. por Refoios e colaboradores (2009a), Refoios e colaboradores (2009a, 2009b).

Em relação ao uso de objectos, os resultados vão de encontro às conclusões de Hite (1980) uma vez que a maior parte das mulheres da amostra não revela preferência pela introdução de objectos na vagina. Quando o referem, a preferência das mulheres vai para o uso do próprio dedo(s) (...)

Nas mulheres que referiram o uso de objectos para se estimularem, quer na zona do clítoris quer através da introdução vaginal, a preferência pelos objectos variou desde o início do comportamento masturbatório até ao comportamento actual. Assim, no início da prática masturbatória, as participantes apresentaram uma preferência por objectos mais comuns e com um acesso mais facilitado, como por exemplo os alimentos de forma fálica: cenoura, banana e objectos tais como peluches, canetas, lápis, velas, entre outros (...)

Actualmente os dildos e vibradores apresentam-se no topo dos objectos preferidos pelas mulheres, no entanto, ainda é possível verificar com alguma frequência o recurso ao uso de objectos do quotidiano, como as escovas do cabelo, telecomandos, entre outros. Talvez a falta de informação acerca dos objectos de cariz sexual, ou a vergonha em frequentar uma sex-shop ou mesmo o custo financeiro destes objectos, poderá contribuir para a observação deste resultado(...)

A maior parte da amostra revelou uma preferência pela estimulação directa da zona clitoriana, comparativamente à estrutura da vagina, confirmando os estudos de Fischer, 1978, Atputharajah (1984), Hite (1980, 2002), e Refoios (2009b) (...)


Em relação à capacidade para atingirem o orgasmo quase toda a amostra refere atingir o orgasmo com a auto-masturbação. Quando questionadas sobre a capacidade de atingirem o orgasmo com a penetração a maior parte da amostra afirmou, também, conseguir atingir o orgasmo durante a prática coital o que contrasta com os principais estudos acerca da capacidade orgástica feminina. Hurbert, Apt e Raberhl (1993 cit por Refoios et al 2009a) que demonstraram, por exemplo, que somente 25% das mulheres eram orgásticas com o coito, sendo as mesmas conclusões partilhadas por Hite, (2002); Kaplan (1974) e Refoios (2009b) (...)

Apesar da nossa amostra referir uma elevada capacidade orgástica coital, as participantes referem, precisar de estimulação adicional na zona clitoriana, realizada pela própria ou pelo(a) parceiro(a) para atingirem o orgasmo durante o coito, o que é demonstrativo da importância da estimulação durante a penetração.(...)

A importância e eficiência da estimulação adicional para o orgasmo foram apontadas por diversos autores como preditoras do orgasmo na relação coital, tal como demonstraram Cavalcanti e Cavalcanti (1992); Kaplan (1974); LoPiccolo e Lobitz (1972); Rosen e Leiblum (1995). O assumir da necessidade da estimulação adicional pode estar relacionado com as características das mulheres da amostra. (...)

Na análise das respostas das participantes acerca da auto e da hetero-estimulação encontrámos resultados similares aos apresentados por Hite (1980) verificando-se que as mulheres que referem maior facilidade em atingir o orgasmo com auto-masturbação, revelam menos capacidade orgástica quando são estimuladas pelos parceiros(as), tal facto não parece relacionar-se, neste estudo, com a capacidade de solicitarem essa estimulação, uma vez que grande parte da amostra refere sentir conforto com a solicitação aos parceiros(as) da estimulação da zona clitoriana, por exemplo (...)

Apesar de a maior parte da amostra referir a estimulação clitoriana como preferencial e necessitar de estimulação adicional neste órgão, para atingirem o orgasmo no coito, 36.3% das mulheres refere não necessitar de estimulação clitoriana, e 39.2% das mulheres atribuem a mesma importância à estimulação clitoriana e vaginal. Infelizmente não foi possível verificar se estas se incluem no grupo de 13%, da nossa amostra, que não identifica o clítoris no diagrama da vulva. De facto, quando questionámos as participantes verificamos que, a maior parte, identifica apenas uma das estruturas, glande ou corpo do clítoris e apenas 15,9% referem ambas. Seria importante no futuro fazer esta análise, porque o desconhecimento desta estrutura poderá obviamente levar à sua desvalorização (...)

O facto de muitas mulheres atribuírem ao clítoris e vagina a mesma importância, e referirem não necessitar de estimulação adicional, também encontra explicação na diversidade e complexidade da resposta sexual feminina, sendo previsível que a estimulação da vagina não é tão pouco importante como se imagina. A parte anterior da vagina tem sido alvo de inúmeros estudos, cujas conclusões revelam a sua importância no orgasmo durante a penetração Para Faix, Lapray, Callede, Maubon e Lanfrey (2002) a posição de missionário durante o coito pode ser determinante para o orgasmo coital devido ao contacto do pénis com a parte anterior da vagina. Também, Levin (2007) e Brody (2007a, 2008,2009) têm direccionado os seus estudos para a actividade penetrativa. Brody apresenta uma posição mais controversa afirmando que as mulheres que se masturbam perdem a capacidade para se concentrarem nas sensações e estímulos vaginais, apresentando o comportamento masturbatório como um adverso da capacidade orgástica feminina (...)

De acordo com estes estudos que comprovam a importância da vagina como fonte de prazer, parece cada vez mais importante analisarmos a capacidade orgástica como um todo e não reduzi-la apenas em partes. Parece então cada vez mais evidente, que o prazer feminino não se encontra limitado apenas a uma estrutura, mas sim, à dinâmica de várias estruturas que podem variar de acordo com a sensibilidade de cada mulher, pelo que o estudo das preferências durante o coito poderá ser futuramente mais explorado.

O facto de quase 80% das mulheres referir atingir o orgasmo com a penetração e mais de 36% das mulheres referir não precisar de estimulação clitoriana adicional durante a penetração para atingirem o orgasmo, é demonstrativo da importância da relação coital para o orgasmo feminino, apesar desta estar cada vez mais associada a uma série de outras variáveis, tais como: intimidade; relação com o parceiro(a), apontadas por Basson (2000, 2001ª, 2001b, 2002a, 2002b,) e por Levine (1991); entre outras(...)

Tendo em conta que as mulheres indicam percepcionar mais intimidade e proximidade com o parceiro durante a prática penetrativa coital, pode justificar-se, de certa forma, a preferência feminina pela actividade penetrativa. Estudos incluindo variáveis como a intimidade no coito poderão ser muito importante para compreender a sexualidade feminina. Uma vez que Hite (1980) demonstrou que apesar de não atingirem o orgasmo muitas mulheres percepcionam a relação coital como uma prática muito satisfatória.(...)

Os resultados da amostra acerca da receptividade são claros: a maior parte da amostra selecciona o lado emocional em detrimento da habilidade técnica do parceiro, do contacto corporal, da erecção peniana e da diversidade sexual na opção dos múltiplos parceiros. Tal facto é confirmado ainda pela forma como as mulheres descrevem a sua satisfação na relação com o parceiro, apresentando uma média bastante elevada ao nível da satisfação na relação sexual.(...)

(Ilustração de Ana Ventura)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...